ELKE DIVERSIDADE NA CRIAÇÃO
CAPÍTULO 04 - A INFINITA ASSINATURA DE DEUS
A sabedoria divina é algo de excelência tão única, que se distingue da mera inteligência. E esta, por sua vez, difere do conhecimento. E o conhecimento não é sinônimo de compreensão.
O conhecimento se conquista pelo esforço. Por ler, por estudar, por ouvir mestres, por debater ideias e fixar lições. Ele é fruto de uma busca. E essa busca só é possível quando paramos. Quando observamos, questionamos e, finalmente, procuramos compreender.
No princípio, quando Deus soprou vida em legiões de anjos e eles abriram os olhos em uníssono, eram como pedras preciosas dotadas de consciência. Estavam ali, pousados diante da recém-criada maravilha dos céus, pairando em um estado de graça que dispensava a força da gravidade. Era um despertar coletivo para uma realidade já plenamente formada.
Olhe agora para o planeta Terra. Veja nossas cidades, com seus prédios, ruas e pontes. Observe: cada construção é única. Mesmo dentro de um mesmo edifício, onde apartamentos compartilham a mesma planta, a vida que os habita é diferente. Os móveis, os quadros na parede, o cheiro da cozinha, o som das risadas... Tudo é singular.
Na verdade, não existem duas obras criadas perfeitamente iguais. Exceto, talvez, pelos produtos da indústria. Mas pense: até mesmo um refrigerante de uma mesma marca, fabricado no mesmo dia, em duas linhas de produção diferentes, terá diferenças minuciosas. Um lote, um código, uma marcação invisível no tempo. A repetição exata é uma ilusão humana.
Isso me traz ao ponto central: a **Diversidade** é a assinatura do Criador. É o princípio pelo qual Ele manifesta a vastidão de Sua mente.
Veja a inteligência artificial de hoje, capaz de gerar textos, poemas e imagens em uma infinidade. Veja o petróleo, matéria-prima de onde extraímos gasolina, plástico, asfalto... uma lista quase sem fim. Lembre da bioquímica com suas cetonas e fenóis, da fauna e da flora em sua biodiversidade avassaladora. Minerais, rochas, biomas, climas, até as nuvens no céu têm formatos distintos.
E isso é só aqui, no nosso pequeno planeta.
Agora, erga os olhos. Pense na infinidade de estrelas, nas nebulosas, nas galáxias que giram no silêncio do cosmos, cada uma com sua composição, sua idade, seu destino. Diante dessa complexidade toda, uma verdade se impõe: se o mundo físico, que mal conseguimos medir, já é assim de uma riqueza inesgotável, como imaginar então a plenitude do Reino espiritual de Deus?
Jesus disse: "Na casa de meu Pai há muitas moradas". Paulo escreveu que a criação proclama a glória do Criador. É uma glória que me deixa sem palavras. Eu, @pedrimescador, confesso minha impotência diante dela. Quem dera poder percorrer aquelas dimensões e descrevê-las...
Por ora, compreendamos a ordem: primeiro, Deus criou o Seu Reino, com toda a sua complexidade e beleza. Depois, como uma extensão, criou o universo físico e tudo o que nele existe. Como está escrito: "Eu sou Deus, eu crio a luz e formo as trevas". Ele é a origem de tudo, tanto das esferas celestes quanto das sombrias.
Mas aqui está uma verdade crucial: Deus **criou** o céu e o inferno como esferas de existência. Contudo, Ele não criou **nenhum anjo para ser demônio**. Lúcifer não foi forjado para ser Satanás. Essa foi uma escolha, uma tragédia que se desenrolou.
E, para mim, faz todo o sentido que o inferno não seja tão vasto quanto o céu. Assim como em nossa sociedade existem mais escolas e hospitais do que presídios, a criação original de Deus é voltada para a vida, não para o castigo. O inferno, portanto, parece-me um lugar de restrição e sofrimento intenso, superlotado de angústia, uma realidade distópica e terminal como os piores lugares que nossa humanidade consegue gerar.
É a partir dessa criação imensamente diversa, bela e complexa, que a história dos irmãos Elke — um deles destinado a obedecer, o outro a abençoar — se desenrola. Eles são, em si mesmos, uma expressão única dessa mesma diversidade infinita que brota do coração de Deus.
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